Ministro do STJ vota para tirar ex-CEO da Vale dos réus de Brumadinho, e julgamento é suspenso

Antonio Saldanha Palheiros sustenta que análise das barragens não era responsabilidade de Fabio Schvartsman, que estava no topo da hierarquia da mineradoraO ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Antonio Saldanha Palheiros, divergiu e votou nesta terça-feira (17) para não reincluir o ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, na lista de réus pelo rompimento da barragem de Brumadinho (MG), em 2019.

O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Og Fernandes, que apresentará seu voto em 7 de abril. Atualmente, o placar da sexta turma do STJ está em 2 a 1 a favor de dar prosseguimento à ação penal, na qual Schvartsman é acusado de crimes de homicídio e ambientais. Ele era presidente da mineradora na época da tragédia, que matou 270 pessoas.

Em seu voto, Saldanha Palheiros afirmou que a responsabilidade direta pelo acidente não podia ser atribuída a Schvartsman, pois a análise técnica das barragens cabia a níveis hierárquicos abaixo do CEO:

“Não encontrei na denúncia a descrição concreta e individualizada de qualquer conduta que pudesse atribuir ao recorrido [Schvartsman] ingerência direta nas decisões operacionais ou técnicas relativas a essa barragem.”

O ministro citou sua experiência em multinacionais para sustentar que acidentes similares exigem análise detalhada para responsabilização direta, mas não excluiu responsabilidade civil, que permanece inequívoca.

O julgamento havia sido interrompido em dezembro de 2025 após pedido de vista de Saldanha Palheiros. Na ocasião, o ministro Rogerio Schietti Cruz também pediu mais tempo para análise e se mostrou favorável à reinclusão do ex-CEO. Em setembro, o relator do caso, Sebastião Reis Júnior, já havia votado nesse sentido.

O caso examina recurso do MPF, que contesta decisão do TRF-6 que havia trancado a ação penal contra Schvartsman em março de 2024. A Justiça federal havia acolhido a defesa do executivo, alegando ausência de elementos mínimos de responsabilidade.

A defesa destacou que Schvartsman assumiu a presidência da Vale 17 meses antes da tragédia, reforçando auditorias em todas as barragens e não violando deveres de cuidado inerentes ao cargo.

Recentemente, o TRF-6 rejeitou habeas corpus de quatro engenheiros da Vale e da consultoria Tüv Süd, mantendo a ação penal em curso. A fase de audiência de instrução começou em fevereiro de 2026 e deve se estender até maio de 2027, com previsão de 76 audiências.

(Fonte: Mais Goiás 

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