Ministério Público processa dona da Sadia após abortos em fábrica em Mato Grosso

OUTRO LADO: MBRF refuta acusações, diz que cumpre com a legislação trabalhista e que apresentará defesaDivulgação 

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação na Justiça contra a MBRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, por negligência com funcionárias grávidas na unidade de Lucas do Rio Verde (MT). O órgão solicita uma indenização de R$ 20 milhões por danos morais coletivos e pede o afastamento imediato de gestantes de áreas com exposição elevada a ruído.

Em resposta, a MBRF refuta as acusações, afirmando que cumpre rigorosamente a legislação vigente, que exige o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para ambientes com exposição a ruídos acima de 80 decibéis. A empresa também afirmou que apresentará sua defesa.

A investigação teve início após uma funcionária venezuelana, grávida de oito meses de gêmeas, passar mal no início de um turno, em abril de 2024. Ela não recebeu socorro médico a tempo e acabou perdendo os bebês. O caso levou a funcionária a processar a MBRF e receber uma indenização, embora a empresa tenha se recusado a comentar.

O MPT analisou dados de saúde da fábrica de 2019 a 2025 e identificou 144 casos de aborto ou ameaça de aborto, além de 113 partos prematuros durante o período. A unidade atualmente emprega 4.800 pessoas, incluindo 74 mulheres grávidas.

A ação do MPT também se baseia na falta de protocolos de emergência médica adequados. O órgão exige que a empresa crie um programa de acompanhamento para as gestantes, incluindo treinamentos obrigatórios para supervisores sobre como identificar sinais de alerta.

A MBRF, por sua vez, informou que possui um programa de acompanhamento às gestantes e adequação das funções de acordo com a etapa gestacional, já tendo acompanhado mais de 13 mil colaboradoras desde 2017.

Fonte: Mais Goiás 

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