Arrastões, fumacê e novas tecnologias reforçam estratégias de enfrentamento diante do aumento de casos no município
As ações de combate ao mosquito Aedes aegypti seguem sendo intensificadas pela Prefeitura de Santarém e, nesta semana, foram ampliadas com a inclusão de novas áreas, tanto na zona urbana quanto em comunidades da região do Planalto. A força-tarefa é coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), em articulação com as secretarias de Meio Ambiente, Urbanismo e Serviços Públicos (Semurb) e Habitação, além do apoio do 9º Centro Regional de Saúde da Sespa e do 8º Batalhão de Engenharia de Construção (8º BEC).
Um dos destaques foi a ação de limpeza e retirada de entulhos realizada no distrito de Alter do Chão. Com o apoio da Semurb, que disponibilizou caçambas e maquinário, a administração distrital promoveu o recolhimento de diversos materiais que poderiam servir de criadouros do mosquito, como geladeiras, fogões, pneus e colchões. Nos bairros Jacundá I e II, foram retiradas cinco carradas de entulhos que acumulavam água, representando risco direto à saúde da população.
A enfermeira Karyna Fialho, da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Alter do Chão II, destacou o trabalho contínuo das equipes de saúde junto à população.
“Nossa equipe tem se empenhado diariamente, orientando os moradores sobre a importância de eliminar água parada e manter os quintais limpos. A prevenção ainda é a melhor forma de combate”, ressaltou.
Segundo o administrador distrital, Waldir Baía, a ação reforça o compromisso da gestão com a saúde pública.
“Estamos unindo esforços para manter nossa comunidade limpa e segura. A retirada desses materiais é fundamental para eliminar possíveis criadouros do mosquito e proteger a população”, destacou.
Na quarta-feira, a comunidade São Braz, localizada na região do Eixo Forte, também foi incluída na programação das ações. No local, as equipes realizaram visitas domiciliares, orientações educativas e eliminação de possíveis focos do mosquito.
A enfermeira da Unidade Básica de Saúde da comunidade, Andreia Pimentel, reforçou a importância do envolvimento dos moradores.
“Estamos orientando a população sobre como se proteger, evitando deixar água parada em recipientes, mantendo caixas d’água bem fechadas e os quintais limpos. Esse trabalho conjunto com a comunidade é essencial para reduzir os riscos de transmissão”, afirmou.
Como parte da estratégia, o município também realizou o “arrastão de combate à dengue”, que nesta semana, de 16 a 20 de março, contemplou os bairros Santarenzinho, Nova República e Jardim Santarém, com concentração das equipes nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dessas localidades, além de ações complementares como a nebulização em áreas estratégicas.
De acordo com dados do boletim epidemiológico mais recente, o município já registra 1.493 casos notificados de dengue em 2026, com 277 confirmações. A incidência é de 83,5 casos por 100 mil habitantes, indicando circulação ativa do vírus. Entre os bairros com maior número de casos estão Santarenzinho, Nova República e Jardim Santarém, áreas que vêm recebendo intensificação das ações.
Segundo o chefe da Divisão de Endemias e Arboviroses da Semsa, Edvan da Silva Lopes, o trabalho integrado tem sido essencial para conter o avanço da doença.
“Estamos atuando de forma estratégica nos bairros com maior incidência, intensificando visitas, orientações e ações de eliminação de criadouros. A integração entre as equipes e o apoio das instituições parceiras fortalecem esse enfrentamento”, destacou.
As ações integram um conjunto de estratégias que incluem visitas domiciliares, eliminação de criadouros, educação em saúde, mutirões de limpeza e aplicação de inseticida por meio de nebulização costal (fumacê), já realizada em bairros como Santo André. O objetivo é reduzir a infestação do vetor e conter o avanço das arboviroses no município.
Paralelamente às ações em campo, os profissionais também têm participado de treinamentos para o manuseio de novas ferramentas que vêm sendo incorporadas ao combate ao mosquito, como a Estação Disseminadora de Larvicida (EDL) e a instalação de ovitrampas — dispositivos utilizados para monitorar e controlar a presença do Aedes aegypti em áreas estratégicas.
A coordenadora da Divisão Especializada em Combate às Zoonoses da Semsa, Rose Brito, destacou que o município tem avançado na modernização das estratégias de enfrentamento.
“Estamos fortalecendo nossas ações com o uso de novas tecnologias e com a capacitação contínua das equipes. A EDL e as ovitrampas ampliam nossa capacidade de monitoramento e controle do mosquito, tornando as ações mais eficazes. Mas é fundamental reforçar que o combate à dengue também depende da participação da população, eliminando os criadouros dentro de casa”, enfatizou.
A Prefeitura reforça que a colaboração da população é indispensável e que atitudes simples no dia a dia — como eliminar recipientes que acumulam água, manter reservatórios bem vedados e permitir o acesso dos agentes de saúde — são fundamentais para reduzir os focos do mosquito e conter o avanço das arboviroses.
Fonte: Agência Santarém



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