Raimundo Rafael Lopes ocultou o cadáver da vítima no terreno anexo à escola onde ele trabalhava como vigia.
Raimundo Rafael (camisa verde claro) foi condenado por feminicídio — Foto: Reprodução/Tv Tapajós
Foi condenado a 37 anos de prisão pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver o vigia Raimundo Rafael Lopes. Os crimes aconteceram na noite do dia 6 de abril de 2025, nas dependências da Escola Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes, no bairro Aeroporto Velho, em Santarém, no oeste do Pará. A vítima, Gisele Ribeiro Batista, de 38 anos, foi morta com um tiro nas costas.
A sessão do júri encerrou por volta das 17h30. A sentença foi lida pelo juiz Gabriel Veloso, titular da 3ª Vara Criminal, privativa do Tribunal do Júri. O réu, que já estava preso, retorna à penitenciária para cumprir a pena em regime fechado. A defesa pode recorrer da sentença.
O julgamento
Em seu depoimento, Raimundo Rafael afirmou que tinha um relacionamento de sete anos com Gisele, que não premeditou o crime e que perdeu o controle após levar um tapa da vítima. Disse que usou uma toalha embebida em álcool para sufocar Gisele até que ela desmaiasse e, quando ela já estava no chão, atirou nas costas.
A discussão teria sido motivada por pressão de Gisele para que ele vendesse uma casa e um terreno e entregasse o dinheiro a ela. Uma irmã e uma filha de Gisele, testemunharam que a vítima saiu de casa afirmando que precisava buscar R$ 2 mil que Raimundo estaria devendo.
Raimundo disse que era perseguido por Gisele e que não havia ligado para ela no dia do crime, afirmando que teria sido ela quem telefonou pedindo dinheiro. Relatórios da operadora mostraram que, somente no dia 6 de abril, Raimundo ligou seis vezes para Gisele e pediu que ela fosse até a escola.
A promotora Mariana Dantas contestou a versão de que o crime não foi premeditado. Ela apresentou imagens mostrando Raimundo cobrindo as câmeras de monitoramento da escola e trechos do depoimento de outro vigia que indicaram que a arma usada no crime foi emprestada na manhã do dia do homicídio.
Durante os debates, a promotora explicou que a vítima não estava em julgamento, que a defesa tende a atribuir culpa à vítima em casos de feminicídio, e destacou a violência doméstica, familiar e o menosprezo à condição feminina como elementos que configuram o feminicídio.
O defensor público Daniel França afirmou que buscava um julgamento justo e pediu aos jurados a desclassificação do crime de feminicídio para homicídio qualificado. O conselho de sentença, no entanto, manteve a condenação por feminicídio.
Fonte: G1 Santarém

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