Alistamento feminino: jovem alenquerense realiza o sonho de ingressar no Exército em São Paulo

Aos 18 anos, Jamilly Beatriz trancou o curso de graduação em engenharia de software para encarar o desafio como soldada a 3.362 km da sua cidade natal.Jamilly Beatriz trancou o curso de engenharia de software — Foto: Arquivo pessoal

Não houve frio nem dificuldade financeira que fizesse a jovem Jamilly Beatriz Moreira dos Santos, de 18 anos, desistir do sonho de ingressar no Exército Brasileiro. Natural de Alenquer, no oeste do Pará, ela foi selecionada após realizar o alistamento feminino e já deu início à sua jornada como soldada em São Paulo (SP).

Em Alenquer, distante 3.362 km de São Paulo, o Exército não realiza alistamento feminino, assim como em Santarém, cidade polo do oeste do Pará. O Exército somente disponibiliza vagas para o segmento feminino em Manaus e Belém; consequentemente, na Região Norte, o alistamento feminino ocorre apenas nessas cidades.

A incorporação de Jamilly Beatriz ao Exército foi acompanhada de perto pela mãe, Josiete Santos, e pelos dois irmãos, uma menina de 3 e um menino de 10 anos. A mãe, aliás, é só orgulho da filha determinada, que pretende seguir carreira militar.

“Estamos há um ano em São Paulo. Minha filha sempre teve o sonho de servir no Exército e, mesmo com problemas e dificuldades que tivemos que enfrentar na cidade, isso não a desmotivou, nem a nós da família”, contou Josiete.

Quando Jamilly chegou a São Paulo em fevereiro de 2025 com a mãe e os dois irmãos, todos precisaram fazer a atualização do RG. A jovem não tinha conseguido fazer o alistamento no site do Exército por não ter cadastro na cidade.

“Tivemos que procurar um órgão do Estado para ela fazer a inscrição. Conseguiu, graças a Deus. Depois foi aguardando as chamadas, os procedimentos e os exames de saúde, além de rezar para que fosse até o final. Graças a Deus ela foi selecionada, passou em todos os exames e nas etapas preparatórias iniciais do Exército. No dia 2 de março foi feita a incorporação: ela deixou de ser civil para se tornar militar”, contou Josiete.

Antes do alistamento, Jamilly começou a trabalhar como balconista em um supermercado de São Paulo. Ela também já estava cursando graduação em Engenharia de Software. Mas, como precisa ficar confinada em treinamento, optou por trancar o curso neste primeiro momento.

Segundo Josiete, apesar da distância e de não poder falar com a filha com a frequência que gostaria, após ela ter ido para a base do Exército onde está servindo, ela está muito feliz com a conquista de Jamilly e diz que a cidade natal delas também comemora a vitória.

“É uma felicidade também para a nossa cidade. Muitos que nos conhecem apoiaram, inclusive o pai dela, que já não vive comigo há muitos anos, mas sempre ajudou, inclusive financeiramente, dando mais incentivo para que ela permanecesse firme e mostrando que as mulheres são guerreiras e fortes. Graças a Deus minha filha está lá”, finalizou Josiete.

O pai de Jamilly, Antonio Domingos, mora em Alenquer e foi às lágrimas no dia em que soube que a filha havia sido selecionada pelo Exército. Ele não duvida de que ela realizará o sonho de seguir carreira militar.

Fonte: G1 Santarém

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