Estudo aponta ligação entre saúde bucal e menor risco de declínio cognitivo
DivulgaçãoUma pesquisa apresentada nos Estados Unidos indica que o uso regular de fio dental pode reduzir o risco de demência, apontando uma possível ligação entre a saúde bucal e a saúde cerebral ao longo dos anos. O estudo foi divulgado durante a International Stroke Conference, em Nova Orleans, e chamou a atenção da comunidade médica.
O estudo foi conduzido pelo neurologista Souvik Sen, professor da Universidade da Carolina do Sul, e faz parte do levantamento ARIC (Risco de Aterosclerose em Comunidades), que acompanha adultos norte-americanos de 45 a 65 anos desde 1987. A análise considerou dados coletados entre 1996 e 2021, envolvendo cerca de 9,7 mil participantes.
De acordo com os resultados, após 25 anos de acompanhamento, a incidência de demência foi de 50% entre os que usaram fio dental ao menos uma vez por semana, contra 57% no grupo que não utilizava o item. A pesquisa não observou a mesma diferença quando comparados apenas os hábitos de escovação.
O professor Sen afirmou que a avaliação sobre o uso do fio dental foi feita antes do diagnóstico de demência, o que reforça a hipótese de que o hábito pode estar associado à prevenção, e não ser apenas uma consequência do declínio cognitivo. Especialistas questionaram se a perda de cognição poderia levar à redução dos cuidados pessoais, mas Sen defendeu que os dados indicam que o comportamento foi registrado antes do surgimento da doença.
Em estudos anteriores com a mesma base de dados, o pesquisador já havia relacionado o uso de fio dental à redução do risco de AVC, devido à diminuição da periodontite, uma infecção gengival que pode gerar inflamações sistêmicas, afetando a circulação sanguínea, inclusive no cérebro.
Apesar dos resultados promissores, os dados apresentados ainda são preliminares e não passaram por revisão por pares, nem foram publicados na íntegra em revistas científicas.


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