Três contas que ninguém quer atrasar: saiba as prioridades no orçamento da família brasileira

Supermercado, contas fixas como água, luz e internet, e moradia concentram juntas 57% do custo mensal das famíliasImagem mostra boleto emitido pela Equatorial Energia (Foto: Reprodução)

Dados de uma pesquisa do Serasa, divulgada na quarta-feira (11), revelam que as famílias brasileiras têm estabelecido prioridades diante do orçamento apertado. Supermercado, contas fixas como água, luz e internet, e moradia concentram juntas 57% do custo mensal das famílias e, apesar de serem consideradas prioritárias, também aparecem entre as despesas mais difíceis de manter em dia.

O levantamento mostra que o desafio é ainda mais evidente no Centro-Oeste. Apenas 19% dos moradores da região afirmam considerar fácil gerenciar pagamentos e despesas, índice igual à média nacional. Ao mesmo tempo, sete em cada dez brasileiros relatam ter percebido aumento no custo de vida nos últimos 12 meses.

Em termos financeiros, o custo médio mensal no Brasil chega a R$ 3.520. Em Goiás, a média é de R$ 3.370, valor inferior ao nacional, mas ainda elevado diante da renda de grande parte da população. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, no acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, a inflação oficial medida pelo IPCA foi de 4,44%. No entanto, grupos essenciais pressionam mais o orçamento: habitação avançou 10,06% e energia elétrica residencial, 27,34%. Já a saúde registrou alta de 5,59% no período.

Segundo análise do economista e conselheiro do Corecon-GO, Joab Augusto, a combinação entre alta nos preços de despesas básicas e renda limitada reduz a margem de manobra das famílias. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, também do IBGE, o rendimento médio mensal real habitual do trabalho em Goiás gira em torno de R$ 3,4 mil.

“Quando esse valor é confrontado com o custo mensal estimado em R$ 3.660 no Centro-Oeste e R$ 3.370 em Goiás, a diferença evidencia uma folga orçamentária estreita, o que amplia o risco de atrasos, parcelamentos e cortes no consumo”, explica Joab.

Dados do Banco Central do Brasil apontam que o comprometimento das famílias com dívidas alcançou 49,77% da renda em novembro de 2025. Para o economista, o resultado reflete maior uso de crédito e parcelamentos para equilibrar as contas.

Diante desse quadro, o estudo do Serasa indica perda de poder de compra e mudanças no padrão de consumo. O supermercado, embora seja prioridade, também se torna uma das principais variáveis de ajuste no orçamento doméstico.

Para driblar as dívidas, Joab recomenda planejamento financeiro, controle de gastos e, quando possível, renda extra.

Supermercado ainda é o vilão do orçamento em Goiás; saiba quanto a população gasta por mês.

Sobre a pesquisa
O levantamento foi realizado em parceria com o Instituto Opinion Box entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026. Ao todo, foram feitas 6.063 entrevistas em todo o país. O questionário contou com 60 perguntas, margem de erro de 1,2 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Entre os entrevistados, 45% eram homens e 55% mulheres. Quanto à renda, 13% declararam renda alta, 35% renda média e 52% renda baixa.

Fonte: Mais Goiás 

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