A distância entre o menor e o maior valor é de R$ 3.319.
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Os dados mais recentes da PNAD Contínua escancaram um Brasil dividido quando o assunto é renda domiciliar per capita. Em 2025, o rendimento médio por morador no país ficou em R$ 2.316. Mas a média, como se sabe, costuma esconder as diferenças — e elas são profundas. Enquanto no Maranhão a renda por pessoa foi de R$ 1.219, no Distrito Federal alcançou R$ 4.538. A distância entre o menor e o maior valor é de R$ 3.319. É quase como falar de dois países sob a mesma bandeira.
No topo do ranking estão o Distrito Federal (R$ 4.538), São Paulo (R$ 2.956), Rio Grande do Sul (R$ 2.839), Santa Catarina (R$ 2.809), Rio de Janeiro (R$ 2.794) e Paraná (R$ 2.762). São unidades da federação com maior dinamismo econômico, forte presença industrial e de serviços, além de concentração de servidores públicos — no caso do DF, sede da máquina federal.
Na outra ponta, predominam estados do Norte e Nordeste. Maranhão (R$ 1.219), Ceará (R$ 1.390), Acre (R$ 1.392), Pará (R$ 1.420), Alagoas (R$ 1.422) e Bahia (R$ 1.465) formam o bloco das menores rendas per capita. A diferença não é apenas numérica: ela reflete desigualdades históricas de infraestrutura, escolaridade, mercado de trabalho e acesso a oportunidades.
Renda e Eleições em 2022
O mapa da renda acompanha, de forma proporcional, o comportamento eleitoral de 2022. Estados com menores rendimentos per capita concentraram votações mais expressivas em Lula, enquanto as unidades com maiores rendas apresentaram percentuais mais elevados para Bolsonaro. A correlação não é absoluta, mas o padrão regional é evidente e ajuda a compreender o cenário político recente.
Abaixo, um recorte comparativo entre renda e votação no segundo turno de 2022:
| Estado | Renda per capita (R$) | Voto em Lula (%) | Voto em Bolsonaro (%) |
|---|---|---|---|
| Maranhão | 1.219 | 71% | 29% |
| Pará | 1.420 | 68% | 32% |
| Bahia | 1.465 | 73% | 27% |
| Ceará | 1.390 | 69% | 31% |
| São Paulo | 2.956 | 44% | 56% |
| Santa Catarina | 2.809 | 31% | 69% |
| Rio Grande do Sul | 2.839 | 43% | 57% |
| Distrito Federal | 4.538 | 42% | 58% |
No Norte e Nordeste, onde a renda média por morador fica abaixo da média nacional, o voto majoritário foi em Lula. Já no Sul, Sudeste e no Distrito Federal — onde os rendimentos são mais elevados — Bolsonaro obteve maior desempenho.
O ranking completo reforça a concentração das menores rendas no Norte e Nordeste: Maranhão (R$ 1.219), Ceará (R$ 1.390), Acre (R$ 1.392), Pará (R$ 1.420), Alagoas (R$ 1.422), Bahia (R$ 1.465), Amazonas (R$ 1.484), Paraíba (R$ 1.543), Piauí (R$ 1.546), Pernambuco (R$ 1.600), Sergipe (R$ 1.697), Amapá (R$ 1.697), Rio Grande do Norte (R$ 1.819), Roraima (R$ 1.878), Rondônia (R$ 1.991) e Tocantins (R$ 2.036). A partir daí aparecem estados do Centro-Oeste e Sudeste até chegar ao bloco dos maiores rendimentos no Sul e no DF.
Os números ajudam a ilustrar um país onde o endereço ainda pesa — e muito — no bolso do cidadão. A velha máxima de que o Brasil é um país de contrastes continua atual.
O rendimento domiciliar per capita é calculado como a razão entre o total dos rendimentos domiciliares nominais e o total de moradores. Nesse cálculo, são considerados os rendimentos de trabalho e de outras fontes. Todos os moradores entram na conta, inclusive pensionistas, empregados domésticos e parentes de empregados domésticos. É uma fotografia ampla da renda média por pessoa — e, como mostram os dados, ela revela um Brasil desigual em números e em escolhas.
(Com Diário do Pará)

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