Indígenas, povos originários e lideranças políticas se uniram em Santarém para barrar medida do Governo Federal que, segundo os manifestantes, ameaça o sustento e a cultura local.
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SANTARÉM (PA) — As águas do Rio Tapajós foram palco de uma forte mobilização popular nesta semana. Comunidades de povos originários, populações indígenas e lideranças políticas locais realizaram uma manifestação para enviar um recado claro ao Governo Federal contra o Decreto 12.600, medida que, segundo os organizadores do ato, facilita a entrega do território à iniciativa privada e à exploração desenfreada.
O movimento argumenta que a formulação do decreto ignorou os direitos e a história das populações tradicionais da região oeste do Pará. Embora a medida sofra questionamentos e pressões por pausas, os manifestantes são categóricos nas suas demandas: a simples suspensão não é aceita; o grupo exige a revogação urgente e definitiva do documento.
Presente no ato, a vereadora Ivanira Figueira endossou o coro contra a medida e criticou a falta de diálogo do poder público com os moradores da bacia do Tapajós. "A nossa vida e o nosso território não são mercadorias. O Tapajós é o nosso sustento, a nossa cultura e o nosso futuro", declarou a parlamentar.
A vereadora ressaltou ainda a exigência constitucional e moral de que os povos da floresta sejam ouvidos antes da implementação de qualquer política pública na região. "Qualquer decisão sobre a nossa casa precisa nos ouvir primeiro. Seguiremos firmes ao lado do nosso povo, lutando contra qualquer projeto de destruição que venha de cima para baixo", afirmou.
Mobilização digital e o movimento "Tapajós Livre"
Além do ato presencial no rio, a campanha ganhou tração no ambiente digital. Em suas redes sociais, a vereadora Ivanira tem dado amplo destaque à importância do movimento, tornando-se uma das principais vozes da campanha "Tapajós Livre" na internet. Em suas publicações, ela reforça que não dará "nenhum passo atrás na defesa das águas" e convoca a população a interagir e compartilhar os registros dos protestos para que a voz da região ganhe alcance nacional.
Impulsionados por hashtags como #TapajosLivre e #RevogaDecreto12600, lideranças e sociedade civil vêm utilizando a internet como ferramenta estratégica. Para as comunidades do Tapajós, a união popular — tanto nas águas quanto nas redes — é a maior arma de resistência no momento.
O Governo Federal ainda não emitiu um novo comunicado oficial sobre a exigência de revogação total do decreto em resposta aos protestos em Santarém.
Portal do Carpê

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