Ou o Oeste do Pará aprende a jogar o jogo global, ou continuará apenas assistindo


Por Daniel Nunes

Existe uma verdade incômoda que precisa ser dita aos empresários do Oeste do Pará: o mundo já está globalizado quem ainda não se internacionalizou ficou para trás.

Enquanto discutimos burocracia, custo Brasil e limitações logísticasoutros territórios estão negociando diretamente com fábricas, acessando tecnologia de ponta e estruturando cadeias produtivas globais. A China não está esperando o Pará se organizar. Ela avança, fecha acordos, domina mercados e constrói dependências econômicas.

A pergunta não é se devemos nos relacionar com a China.
A pergunta correta é: vamos fazer isso com estratégia ou vamos repetir o papel de meros compradores dependentes?

A China não é vilã. Ingenuidade estratégica é.

Tratar a China apenas como “ameaça” é tão equivocado quanto enxergá-la apenas como fornecedora de produtos baratos. A China é, acima de tudo, uma potência industrial e tecnológica altamente organizada, com visão de longo prazo e execução impecável.

Ignorar isso não protege a economia local enfraquece.

verdadeiro risco para o Oeste do Pará não é importar da China.
risco é continuar comprando de intermediários, pagando caro, sem controle de qualidade, sem transferência de conhecimento e sem construção de capacidade própria.

Importar não é custo. É capacidade estratégica.

Quando falamos em importação estruturada, estamos falando de algo muito maior do que contêineres e notas fiscais. Estamos falando de:

  • acesso direto a fabricantes
  • domínio da cadeia de suprimentos
  • controle tecnológico
  • ganho de competitividade
  • soberania empresarial

Empresários que importam com estratégia não ficam dependentes ficam mais fortes. Desenvolvem musculatura para competir, inovar e crescer.

O erro histórico: deixar o pequeno empresário de fora

Durante décadas, o comércio exterior no Brasil foi tratado como privilégio de grandes grupos. Esse modelo condenou pequenas e médias empresas à dependência e à baixa competitividade.

Democratizar a importação é um ato econômico mas também político e estratégico.
Com assessoria correta, empresas do Oeste do Pará podem:

  • comprar direto de fábricas chinesas
  • validar fornecedores presencialmente
  • garantir controle de qualidade
  • estruturar logística e tributação de forma segura

Isso muda o jogo local.

Missões empresariais não são turismo. São inteligência de mercado.

Ainda existe quem ache que missões empresariais à China são “viagem”. Essa visão revela desconhecimento profundo do jogo global.

Ir à China, visitar fábricas, participar da Canton Fair e entender o ecossistema industrial não é luxo é inteligência estratégica aplicada. É ali que se aprende como o mundo está produzindo, inovando e competindo.

Quem não vê isso continuará comprando soluções prontas, enquanto outros constroem vantagem estrutural.

Tecnologia ou dependência: a escolha é agora

Oeste do Pará tem vocação para bioeconomia, agroindústria, serviços e inovação. Mas vocação sem tecnologia vira discurso vazio.

China oferece acesso a equipamentos científicos, soluções industriais e parcerias tecnológicas que podem acelerar startups, modernizar empresas e agregar valor à produção local. A alternativa é continuar esperando políticas públicas que nunca chegam na velocidade do mercado.

Sim, é preciso proteger a economia local com inteligência

Protecionismo cego não protege ninguém.
Protege quem sabe negociar.

A defesa da economia regional passa por:

  • joint ventures com empresas locais
  • transferência de tecnologia
  • geração de emprego no território
  • fortalecimento das associações comerciais

Não se trata de fechar portas. Trata-se de entrar no jogo com regras claras e estratégia própria.

Ou lideramos, ou seremos liderados

Oeste do Pará precisa decidir se quer ser apenas consumidor de soluções globais ou protagonista da sua própria inserção internacional.

Defendo uma internacionalização inteligente, estruturada e consciente. Não para substituir a economia local, mas para fortalecê-la.

O mundo não vai esperar nossa maturidade estratégica.
Ou aprendemos a jogar o jogo global agora, ou continuaremos pagando o preço da dependência.

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