Líder do CV dizia que não temia prisão porque ‘pagava todos’, revela polícia Por EM TEMPO

Investigação aponta tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e participação de agentes públicos em esquema atribuídDivulgação 

O líder do Comando Vermelho (CV), Allan Kleber Bezerra de Lima, afirmava não temer a prisão porque “pagava todos”. Ele se referia à participação de agentes públicos vinculados a diferentes órgãos, como os da esfera municipal, legislativa, executiva e até do Poder Judiciário do Amazonas. Essas conexões eram fundamentais para a manutenção das atividades ilícitas do grupo.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Allan Kleber se sentia seguro para cometer crimes devido à proteção dessa rede de pagamentos, chegando a se vangloriar diante dos outros membros do grupo. Ele afirmava que não havia razão para preocupação, devido à estrutura de apoio que mantinha dentro dos órgãos públicos.

A declaração de Allan Kleber foi identificada após a extração de dados de um aparelho celular apreendido durante as investigações.

Além disso, foi identificado que o líder da organização se apresentava como evangélico e frequentava uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, zona leste de Manaus. Ele usava igrejas evangélicas como uma forma de camuflagem social, dificultando a identificação do grupo criminoso.

Deflagrada na manhã desta sexta-feira (20), a Operação Erga Omnes apura a atuação de uma organização ligada ao Comando Vermelho em crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, e violação de sigilo funcional. A investigação revelou que o grupo tinha ramificações dentro da administração pública em várias esferas.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas, além de 24 mandados de busca e apreensão em sete estados. Também ocorreram bloqueios de contas bancárias e sequestros de bens. O líder da organização continua foragido.

A operação contou com o apoio de forças de segurança de outros estados devido às conexões interestaduais identificadas ao longo das investigações. O nome “Erga Omnes” faz referência ao alcance amplo da ação, que envolveu investigados de diferentes esferas.

Em Tempo Manaus 

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