Flávio Bolsonaro deixa vazar estratégia eleitoral do PL para 2026

Flávio sonda o experiente marqueteiro mineiro Paulo Vasconcelos, que, segundo relatos, teria mantido um olho na reunião e outro nos papéis esquecidos.Divulgação 

Inexperiente nos bastidores de uma campanha nacional, o senador Flávio Bolsonaro cometeu seu primeiro ato falho político — daqueles que qualquer marqueteiro calejado trataria de evitar antes mesmo de a porta da sala se fechar. Após a reunião da cúpula do PL, na última terça, 24, Flávio Bolsonaro deixou expostas, sobre a mesa, anotações detalhadas com nomes, preferências e vetos sobre os candidatos que pretende apoiar nos 26 estados e no Distrito Federal. O material revela as alianças em formação para as disputas estaduais e pode provocar desconforto — ou até mágoas profundas — entre aliados que se imaginavam contemplados na estratégia do partido. O episódio já surge como um dos primeiros grandes testes para o futuro marqueteiro do candidato do PL. Flávio sonda o experiente marqueteiro mineiro Paulo Vasconcelos, que, segundo relatos, teria mantido um olho na reunião e outro nos papéis esquecidos.

No Pará, a revelação é de que “Daniel”, nome colocado no esboço, “está hoje no PSB e não pede voto para FB (Flávio Bolsonaro) e é anti-Helder”. No rabisco ele chega a lembrar das “pesquisas”, sem anotar nenhuma observação. Para uma das vagas no Senado, a anotação destaca o Delegado Éder Mauro (PL), chegando a enfatizar que “há chance de fazer 1 senador nesse palanque”. No mesmo esboço está o nome de Joaquim Passarinho, que é ignorado nas anotações.

Em São Paulo, as notas mencionam o deputado federal Eduardo Bolsonaro como possível candidato ao Senado, compondo chapa com Tarcísio de Freitas ao governo e Guilherme Derrite na primeira vaga à Casa. Além de Eduardo Bolsonaro, surge entre os cotados à segunda vaga o nome de Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Também aparecem os deputados Marco Feliciano e Mario Frias, além do vice-prefeito da capital paulista, coronel Mello Araújo.

Em Minas Gerais, o leque de opções para o Senado inclui Carlos Viana, Marcelo Aro, Eros Biondini e Domingos Sávio. Para o governo mineiro, Flávio Bolsonaro defende o lançamento de Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. Já Pedro Simões, apontado como preferido do governador Romeu Zema para a sucessão, aparece com ressalvas e indicação para vice. Em uma das anotações mais diretas, o senador registrou: “Me puxa p/ baixo. Se for candidato, Cleitinho e [Rodrigo] Pacheco também são”, numa referência ao senador Rodrigo Pacheco.

No Ceará, chama atenção a citação de Ciro Gomes como possível candidato ao governo, desde que a chapa inclua um integrante do PL na vice. Para o Senado, aparecem os nomes de Alcides Fernandes, Priscila Costa e Roberto Cláudio. Em Pernambuco, Mendonça Filho é apontado como alternativa do partido diante de uma eventual adesão à reeleição da governadora Raquel Lyra.

Disputa no Distrito Federal
No Distrito Federal, as anotações revelam um impasse. A vice-governadora Celina Leão é citada como possível candidata ao governo, desde que a disputa ao Senado seja composta por Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Em outro trecho, o senador escreve: “Se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá para oficiar com Celina”, numa referência ao governador Ibaneis Rocha.

No Paraná, a vitória de Deltan Dallagnol para o Senado é tratada como certa nas anotações. Filipe Barros aparece como nome do PL, com observação expressa para que não haja aliança com Cristina Graeml: “Não dá, atrapalha Filipe”. Também são mencionados Guto Silva e Sérgio Moro como opções ao governo estadual.

Já no Piauí, tradicional reduto do PT, não há indicação de nomes para o governo. Para o Senado, são listados Tiago Junqueira, do PL, e o senador Ciro Nogueira.

Estratégias e Bastidores da Campanha
O episódio expõe, de forma incomum, as engrenagens internas de montagem de chapas e revela preferências, vetos e cálculos políticos que costumam permanecer nos bastidores. Em política, estratégia manter um assessor exclusivamente para a missão de “recolher rastros” durante a campanha política é ponto fundamental, coisa que o experiente marqueteiro Paulo Vasconcelos conhece bem desde as campanhas de Minas Gerais, nas décadas de 80. 

(Com Diário do Pará)

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