Católicos: Começa hoje (18) a Quaresma, período de preparação para a Páscoa

Assim como Jesus passou quarenta dias no deserto em oração e jejum, a Igreja caminha simbolicamente com EleDivulgação 

A Quaresma é um tempo litúrgico de 40 dias que prepara o coração da Igreja para a celebração da Páscoa, o centro da fé cristã. Não se trata apenas de um período no calendário litúrgico, mas de um caminho espiritual no qual cada fiel é convidado a voltar ao essencial: Deus, sua Palavra e o amor ao próximo. Assim como Jesus passou quarenta dias no deserto em oração e jejum, a Igreja caminha simbolicamente com Ele, aprendendo a escutar, a confiar e a vencer aquilo que nos afasta da vida plena em Deus.

A Quarta-Feira de Cinzas abre o tempo da Quaresma, é um momento de chamado pessoal e comunitário à conversão, à escuta e ao reencontro com Deus. “Ao recebermos as cinzas sobre a cabeça, a Igreja nos dirige palavras simples e profundas: ‘Convertei-vos e crede no Evangelho’ ou ‘Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás’. Ambas nos colocam diante da verdade da nossa condição humana: somos frágeis, dependentes da graça e chamados a viver para aquilo que é eterno”, explica Vitor da Cruz Azevedo, do Departamento Regional de Comunicação da Congregação dos Missionários, de São Carlos (SP).

O sinal das cinzas

As cinzas, obtidas dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, recordam que a glória humana é passageira. Aquilo que foi sinal de triunfo se transforma em pó, ensinando que somente Deus permanece.

“Na Sagrada Escritura, as cinzas são sinal de penitência e súplica: ‘Cubro-me de saco e cinza’. No entanto, a Igreja não nos impõe as cinzas para nos entristecer, mas para nos libertar da ilusão da autossuficiência e nos devolver à verdade do amor misericordioso do Pai”, esclarece Vitor Azevedo, acrescentando “Ser marcado com as cinzas é ser marcado com esperança, quem reconhece sua fragilidade se abre à ação da graça”.

Por que “quarenta dias”?

O número quarenta, na Sagrada Escritura, está ligado a tempos de prova, preparação e renovação: Quarenta dias e noites do dilúvio, que deram início a uma nova aliança; quarenta anos do povo de Israel no deserto), aprendendo a depender de Deus; e quarenta dias de Jesus no deserto, antes de iniciar sua vida pública. “A Quaresma, portanto, é um tempo de travessia. Saímos do que somos para nos tornarmos, pela graça, aquilo que Deus sonha para nós”, afirma Vitor.

Um tempo de conversão e esperança

A palavra “conversão” não significa apenas mudar ações e comportamentos externos, mas mudar o coração. É permitir que Deus seja novamente o centro da vida, das escolhas e dos relacionamentos. “A Igreja nos ensina que a Quaresma é um tempo privilegiado para essa renovação interior, por meio da escuta mais atenta da Palavra de Deus e da participação mais consciente na vida sacramental”.

Não é um tempo de tristeza, portanto, mas de plena esperança: quem se deixa transformar por Deus caminha em direção à alegria da Ressurreição.

Um tempo para todos

A Quaresma fala ao coração de cada pessoa, em qualquer fase da vida. Para quem traz a sabedoria dos anos, é um tempo de confiar ainda mais na misericórdia de Deus. Para os jovens, é uma oportunidade de aprender a escolher com o coração livre. Para os ministros ordenados e consagrados, é um convite a testemunhar, antes de ensinar.

A Igreja inteira caminha unida: cada passo pessoal se soma ao passo comunitário, formando um povo que se coloca novamente a caminho com Cristo.

Da cruz à vida nova

A Quaresma nos conduz ao mistério da Cruz, não como sinal de derrota, mas como expressão suprema do amor. Em Jesus, a entrega se transforma em vida, e a morte dá lugar à Ressurreição.

Por isso, todo esforço quaresmal tem um horizonte pascal: a alegria de saber que Deus faz novas todas as coisas e que nenhuma fragilidade é maior do que a sua graça.

Um convite pessoal

A cada Quaresma, Deus nos dirige uma pergunta simples e profunda: o que precisa ser transformado em mim para que eu viva mais plenamente como filho e filha de Deus?

“Que este tempo seja, para cada um de nós, um verdadeiro recomeço. Um passo a mais na fé, um gesto a mais de amor e um coração cada vez mais aberto à luz da Ressurreição”, conclui Vitor Azevedo.

(Fonte: scalabrinos.com)

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