Quem é ‘Irmão Edivaldo’: vereador e pastor cassado por compra de votos no Pará

“Irmão Edivaldo” já havia sido cassado em abril de 2025 pela 74ª Zona Eleitoral de Ourilândia do Norte, acusado de compra de votos e abuso de poder econômico.

Divulgação 

O vereador Edivaldo Borges Gomes, conhecido como “Irmão Edivaldo”, de Ourilândia do Norte, no sul do Pará, foi cassado nesta última quarta-feira (21) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) por compra de votos e uso de ‘óculos espião’. O parlamentar declarou à Justiça Eleitoral patrimônio superior a R$ 8 milhões.

“Irmão Edivaldo” já havia sido cassado em abril de 2025 pela 74ª Zona Eleitoral de Ourilândia do Norte, acusado de compra de votos e abuso de poder econômico. O vereador foi procurado para comentar a decisão, mas não houve retorno até a publicação.

A decisão do TRE-PA confirmou a sentença de primeira instância, determinando a cassação do diploma, a anulação dos votos, a aplicação de multa e a inelegibilidade por oito anos. A medida ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O parlamentar, de 54 anos, declarou ao TSE, nas últimas eleições, um patrimônio de R$ 8.375.000, composto por terrenos, veículos e imóveis.

Edivaldo Borges Gomes nasceu em 12 de setembro de 1970, em Uruaçu (GO), filho de Francisco Borges e Maria de Lourdes Gomes. Segundo informações da Câmara Municipal de Ourilândia do Norte, ele chegou ao município em 1986 e, em 1991, casou-se com Marilene da Silva Gomes.

É pai de três filhos — Deibson da Silva Gomes, Débora da Silva Gomes e Dhyeimison da Silva Gomes —, todos condenados por compra de votos. A defesa dos citados também foi procurada.

Em Ourilândia do Norte, Edivaldo construiu carreira política com quatro mandatos como vereador:

  • Pelo PDT no 1º mandato (2005–2008): 331 votos
  • Pelo PDT no 2º mandato (2009–2012): 359 votos
  • Pelo MDB no 3º mandato (2021–2024): 545 votos
  • Pelo MDB no 4º mandato (2025–2028): 848 votos (cassado)

Segundo o próprio político, ele pretendia continuar na vida pública e disputar a prefeitura do município. No meio religioso, atuava como 1º vice-pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira.

Esquema de compra de votos

De acordo com o processo, as investigações apontaram um esquema organizado de compra de votos, com pagamentos realizados em dinheiro vivo para evitar rastros bancários.

Cabos eleitorais recebiam R$ 100 por indicação, enquanto eleitores que aceitavam vender o voto recebiam R$ 200.

Para fiscalizar o cumprimento do acordo, o grupo utilizava recursos tecnológicos. Uma eleitora adolescente foi orientada a votar usando óculos equipados com microcâmera, que gravava o momento da votação dentro da cabine eleitoral, violando o sigilo do voto.

Flagrante dentro da seção eleitoral

O esquema começou a ser descoberto quando uma mesária desconfiou da eleitora, que usava óculos escuros durante a votação. Ao solicitar a retirada do acessório, foi identificada a microcâmera frontal.

Com a jovem, também foi encontrado um “santinho” com o código “yx33”, utilizado pelo grupo para controlar quais eleitores já haviam votado.

As imagens gravadas foram consideradas provas determinantes para a confirmação da fraude eleitoral.

(Com informações do g1)

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