Três sargentos da Polícia Militar são investigados por participação direta no crime ocorrido em novembro de 2025
Foto: Divulgação
Nesta sexta-feira (15), o município de Anapu, no sudoeste do Pará, três sargentos da Polícia Militar suspeitos de envolvimento no assassinato brutal de um casal foram presos. A ação faz parte da segunda fase da operação Quinto Mandamento, deflagrada pela Polícia Civil para apurar o duplo homicídio registrado em novembro de 2025.
Os militares presos são investigados pela morte de Arionildo Cavalcante Ferreira, conhecido como Boiadeiro, e de sua esposa, Seli Silva Ferreira. Até o momento, eles foram identificados apenas como Cruz, Luciano e Elton. Dois foram localizados em Anapu e um na região de Belo Monte. Segundo a Polícia Civil, além da execução, os suspeitos também teriam atuado para intimidar testemunhas após o crime.
A operação mobilizou cerca de 25 policiais civis da Delegacia de Anapu, da Delegacia de Homicídios e do Núcleo de Apoio à Investigação de Altamira. Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis ligados aos investigados. Após as prisões, os três foram levados para a Delegacia de Altamira, onde permanecem à disposição da Justiça.
As investigações indicam que os policiais militares tiveram participação direta no assassinato e também no apoio logístico para a fuga de um dos principais investigados, apontado como possível mandante do crime, que segue foragido. A apuração aponta que agentes públicos atuaram tanto na execução quanto em etapas posteriores, o que reforçou o pedido de prisão aceito pelo Judiciário.
Durante as buscas, a polícia apreendeu aparelhos celulares, CPU de computador e outros objetos que podem ajudar a esclarecer o caso. Todo o material será submetido à perícia técnica, com a expectativa de fortalecer o inquérito, identificar a motivação do crime e apontar a participação de outros envolvidos.
O duplo homicídio ocorreu na noite de 25 para 26 de novembro de 2025, na zona rural de Anapu. De acordo com a investigação, o casal retornava do trabalho quando foi surpreendido em frente à própria casa, localizada em uma vicinal. Seli desceu do veículo para abrir a porteira da propriedade quando homens armados anunciaram um assalto. As vítimas foram rendidas e obrigadas a entrar novamente no carro.
Uma das filhas do casal, que estava dentro da residência, ouviu os gritos da mãe e acionou familiares. Ainda durante a madrugada, o desaparecimento foi registrado na delegacia. Na manhã seguinte, os corpos foram encontrados em um terreno baldio, a cerca de um quilômetro do centro da cidade.
Os dois apresentavam sinais de extrema violência, com marcas de agressões físicas e disparos de arma de fogo, o que indica que foram torturados antes da execução. O veículo utilizado no sequestro foi localizado abandonado em outra vicinal da região.
Desde então, a Polícia Civil passou a tratar o caso como um crime de mando, motivado por razão torpe. A dinâmica da ação reforça a suspeita de que os executores não tinham relação pessoal com as vítimas. A complexidade do crime levou ao aprofundamento das análises telefônicas e digitais, agora ampliadas com os equipamentos apreendidos.
Após os procedimentos legais, os três sargentos serão encaminhados à Corregedoria da Polícia Militar, onde permanecerão à disposição da Justiça. A Polícia Civil afirma que as investigações seguem em andamento e que novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias, enquanto a população de Anapu cobra respostas, justiça e responsabilização diante da gravidade do caso.
Fonte: Debate Carajás

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