Na cidade paraense, as diligências foram executadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)
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Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), chegou ao sudeste do Pará. Nesta sexta-feira (16), a força-tarefa deflagrou a Operação Serpens, que levou à prisão temporária da delegada recém-empossada Layla Lima Ayub, apurada por suspeita de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e por possível utilização da função pública para favorecer integrantes da facção.
Além da detenção, a ofensiva cumpriu sete mandados de busca e apreensão, distribuídos entre endereços no estado de São Paulo e em Marabá. Na cidade paraense, as diligências foram executadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), conforme confirmou à imprensa o superintendente da Polícia Civil em Marabá, Antonio Mororó.
A ligação da investigada com Marabá está associada ao período em que ela atuou no município como advogada. O presidente da Subseção da OAB em Marabá, Rodrigo Botelho, afirmou que Layla permaneceu na cidade por cerca de um ano, foi secretária da Comissão de Segurança Pública da Ordem e se mudou há alguns meses. Ele disse que tomou conhecimento da prisão pela manhã e declarou que a notícia causou surpresa no meio local.
Embora tenha deixado Marabá, Layla teria continuado vinculada a demandas na região. De acordo com informações divulgadas pelo Estadão, o Ministério Público sustenta que, já investida no cargo de delegada, ela teria mantido atuação jurídica de forma irregular. Um dos fatos apontados na apuração teria ocorrido em 28 de dezembro, quando ela, segundo a investigação, participou por videoconferência de uma audiência de custódia na comarca de Marabá para atuar na defesa de um preso descrito como integrante do PCC.
Para os investigadores, a prática contraria regras que disciplinam a atividade policial e pode ter servido, na prática, para beneficiar interesses do grupo criminoso, afetando a imparcialidade de procedimentos e ampliando a capacidade de influência da facção.
Na mesma operação, também houve a prisão temporária de Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, apontado por autoridades como uma das referências do tráfico de drogas e armas associado ao PCC na Região Norte.
A apuração menciona ainda uma conexão da investigada com o sudeste paraense por questões pessoais: apesar do relacionamento atribuído a Jardel, Layla é formalmente casada com um delegado lotado em Nova Ipixuna. A reportagem procurou o servidor para questionar se haveria posicionamento, mas não houve retorno até a publicação.
Lavagem de dinheiro entrou no radar
Ainda conforme noticiado pelo Estadão, o procedimento não se restringe à suspeita de organização criminosa e ao possível desvio de conduta funcional. O inquérito também aponta indícios de lavagem de dinheiro, com a suspeita de aquisição de uma padaria na zona leste de São Paulo por meio de recursos ilícitos, registrada em nome de terceiros, mecanismo que, segundo a investigação, pode indicar tentativa de ocultação de patrimônio e origem do dinheiro.
(Portal Debate)

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