O velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.
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O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), em Brasília, em decorrência de um câncer. O velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.
O que aconteceu
Jungmann foi ministro da Reforma Agrária (Governo FHC), da Defesa e da Segurança Pública (Governo Temer). Também atuou como deputado federal pelo estado de Pernambuco e foi filiado aos partidos MDB e Cidadania (antigo PPS).
O ex-ministro tinha 73 anos e era natural do Recife. Chegou a cursar Psicologia e atualmente trabalhava no setor de mineração. Era diretor-presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).
“Dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira, atuando com integridade, espírito republicano e um compromisso inabalável com a democracia, o desenvolvimento sustentável e o diálogo.” – Ibram, em nota de pesar.
O instituto afirmou que, sob a liderança de Jungmann, a entidade “fortaleceu seu protagonismo institucional”. “Será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira”, afirmou.
“Neste momento de profunda tristeza, o Ibram manifesta solidariedade à família, amigos e colegas de jornada, agradecendo por tudo que Raul Jungmann representou para o Brasil, ao setor mineral e ao Instituto.”
Primeiro ministro da Segurança Pública
Da Defesa para a Segurança Pública. Em fevereiro de 2018, o então presidente Michel Temer deslocou Jugmann para o recém-anunciado Ministério da Segurança Pública, pasta que ficou responsável pelas polícias Federal e Rodoviária, além do Departamento Penitenciário Nacional e da Secretaria de Segurança Pública.
Novo ministro da Justiça e Segurança Pública lamentou. Wellington César Lima e Silva disse, em nota, que “Jungmann prestou relevantes serviços ao Estado brasileiro e deixou importante contribuição à vida pública nacional”.
“Neste momento de dor, o Ministério da Justiça e Segurança Pública manifesta solidariedade aos familiares, amigos e a todos os que conviveram com Raul Jungmann, expressando sinceras condolências.” – Wellington César Lima e Silva, Ministro da Justiça e Segurança Pública.
Jungmann dizia que “não existem estatísticas nacionais confiáveis na área da segurança pública”. Segundo o ex-ministro, não há como medir as políticas de segurança. “Você não tem evidências para saber se o dinheiro está sendo mal ou bem empregado. Ou seja, a segurança pública no Brasil é o reino da obscuridade”, declarou Jungmann, em 2020, ao falar sobre o seu trabalho na pasta.
Fórum Brasileiro de Segurança Pública manifestou profundo pesar e destacou que Jungmann foi o único ministro da Segurança Pública da história do país. “Durante sua gestão, foi aprovado o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e realizadas mudanças estruturais na legislação do Fundo Nacional de Segurança Pública, que possibilitaram avanços que ainda hoje sustentam políticas públicas na área. Sua atuação buscou fortalecer as instituições e enfrentar os complexos desafios da segurança pública brasileira”, disse a entidade, em nota.
Em entrevista ao UOL, em abril do ano passado, Jungmann defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso. Segundo o ex-ministro, não é possível combater o crime organizado internacional sem uma coordenação nacional.
“A PEC significa um marco na luta contra a violência e a insegurança que afligem os brasileiros e ameaçam a própria democracia. Simboliza que o governo federal se rendeu à dimensão do problema, sua repercussão social dramática, e decidiu assumir um compromisso com a segurança pública. Mas não basta: para que ele possa, efetivamente, participar desse processo, precisa que o texto da Constituição não restrinja o dever com a segurança pública apenas aos estado, como está posto desde 1988.”
“A questão da segurança transcende essa disputa entre governo e oposição. É uma questão fundamental para a população e para a democracia. A PEC é apenas o começo de um longo e complexo trabalho sempre adiado com medidas paliativas, geralmente às vésperas de eleições, quando o clamor público encontra ressonância política.”
Políticos, amigos e empresários lamentam
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), lamentou a morte de Jungmann. Lembrou que, em dezembro, a casa concedeu uma Moção de Louvor ao ex-ministro em “reconhecimento da sua trajetória pública, de serviço prestado ao país”.
“Ficam as lições sobre diálogo, construção de pontes e respeito institucional. Meus sentimentos aos familiares e amigos. Que Deus os conforte neste difícil momento.” – Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira ,disse que Jungmann era “um amigo que a vida pública me deu desde 2007”. “Nossa convivência foi intensa, construída ao longo de muitos anos de trabalho, diálogo e compromisso com o Brasil. Fomos deputados juntos pelo PPS; dividimos ideias, debates e sonhos para o país”, escreveu nas redes sociais.
“Raul foi um dos homens mais decentes, corretos e trabalhadores que conheci na vida pública. Sempre atuou com seriedade, espírito público e respeito às instituições democráticas, deixando uma marca de equilíbrio e responsabilidade por onde passou. Nos reencontramos mais recentemente em um setor essencial para o futuro nacional: a mineração. Raul era um entusiasta dos minerais críticos e estratégicos e contribuiu de forma decisiva para a construção de políticas públicas e marcos legais importantes para o desenvolvimento do setor mineral brasileiro. Tivemos inúmeras reuniões e conversas sobre esses e outros temas de interesse nacional.” – Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
General Fernando Azevedo e Silva lamentou a perda do ex-ministro e atual colega no Ibram. “Lamento e sofro muito com o falecimento do meu grande amigo Raul Jungmann. Perdemos um brasileiro que se dedicou ao País até seu último dia. Que Deus o receba”, escreveu o general, que foi ministro da Defesa de Jair Bolsonaro, ao UOL.
O Lide (Grupo de Líderes Empresariais) manifestou “profundo pesar” e solidariedade a amigos e família. O ex-ministro trabalhava na área de mineração da entidade. “Ao longo de sua trajetória, contribuiu para o fortalecimento e desenvolvimento estratégico do setor mineral brasileiro. Sua visão, capacidade de articulação e espírito público deixam um legado inestimável para a política, a economia e a sociedade brasileira”, afirmou.
(As informações são da UOL)

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