Especialistas explicam que a “dívida de sono” não pode ser quitada com horas extras de descanso esporádicas
Divulgação
A privação de sono vai além do cansaço momentâneo. Trata-se de um déficit fisiológico progressivo, cujos efeitos se acumulam no organismo e não podem ser revertidos com longos períodos de descanso durante o fim de semana. A chamada "dívida de sono" não é quitada simplesmente dormindo de 10 a 12 horas em um ou dois dias, alertam os especialistas.
O impacto da falta de sono pode ser contínuo, gerando “juros” diários que se manifestam de diversas formas, como ganho de peso, desregulação hormonal, aumento da ansiedade, queda do desempenho cognitivo, inflamação crônica e maior risco de doenças metabólicas e neurodegenerativas.
Estudos apontam que dormir entre cinco e seis horas por noite, durante dez dias consecutivos, pode fazer o cérebro funcionar de forma semelhante a uma pessoa que passou uma noite inteira sem dormir. Isso ocorre mesmo que o indivíduo acredite estar bem e adaptado à rotina de sono reduzido.
Além disso, o uso de melatonina pode auxiliar no início do sono, mas não resolve o problema de forma isolada. A melatonina não garante sono profundo nem uma recuperação neural adequada. O fator central para a saúde do sono é a regularidade do ritmo circadiano, ou seja, dormir e acordar todos os dias no mesmo horário, com a duração necessária.
A privação do sono profundo afeta também o sistema glinfático, responsável pela "limpeza" do cérebro durante o descanso, resultando no acúmulo de proteínas neurotóxicas, como a beta-amiloide, associada ao aumento do risco de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
No aspecto metabólico, a falta de sono está relacionada à resistência à insulina, elevação do cortisol, alterações nos hormônios leptina e grelina — que regulam a fome e a saciedade —, maior inflamação sistêmica e aceleração do envelhecimento.
De acordo com a literatura científica, não existe atalho fisiológico para substituir o sono adequado. A única forma eficaz de reduzir os prejuízos da privação de sono é dormir sete horas ou mais por noite, com qualidade e constância. O corpo humano não “negocia” o sono: quanto mais ele é adiado, maior é o preço cobrado pelo organismo.

0 Comentários