Eduardo diz que mudança de Bolsonaro para a Papudinha é “perseguição” e cita objetivo eleitoral por trás da decisão de Moraes

Ex-deputado acusa Moraes de agir por motivação política e defende prisão domiciliar.

Divulgação 

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal para a Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha, provocou reação imediata da família.

O filho mais novo, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, divulgou vídeo nas redes sociais atacando a determinação e afirmando que ela tem motivação política.

O ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, cumpria pena na sede da PF em Brasília e agora passará ao cumprimento no batalhão da PM, onde também estão detidos o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques. Assim como eles, Bolsonaro ficará em cela individual.

Eduardo fala em “perseguição” e critica Moraes

No pronunciamento, Eduardo Bolsonaro acusou Moraes de agir com parcialidade e classificou a transferência como uma nova etapa de “perseguição” contra Jair Bolsonaro.

“Isso demonstra, mais uma vez, a sua insensibilidade, a sua psicopatia”, disse.

O ex-deputado afirmou ainda que, em sua visão, não houve crime cometido pelo pai.

“A gente sabe que Bolsonaro não cometeu crime algum, que não houve tentativa de golpe no Brasil, e que a prisão dele só serve para tirá-lo da corrida presidencial”, declarou.

Motivação eleitoral e pedido de domiciliar

Eduardo Bolsonaro argumentou que a decisão estaria relacionada ao calendário eleitoral e ao papel do ex-presidente na disputa política.

“A todo custo, Alexandre de Moraes quer impedir que Bolsonaro tenha influência sobre as eleições deste ano”, afirmou.

Ele defendeu que o STF deveria conceder prisão domiciliar ao ex-presidente e sustentou que a manutenção no sistema prisional configura “injustiça”.

Segundo Eduardo, a escolha por mantê-lo detido em unidade militar teria o propósito de limitar sua presença no debate público.

Comparação com outros casos no STF

O ex-parlamentar também comparou o caso do pai com precedentes envolvendo outras figuras públicas. Citou, especificamente, decisão favorável ao ex-presidente Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar em processo que tramitou sob relatoria de Moraes.

Para Eduardo Bolsonaro, a discrepância de tratamento evidencia seletividade do tribunal.

Discurso político e cenário eleitoral

Encerrando a mensagem, Eduardo fez apelo ao eleitorado alinhado ao bolsonarismo.

“Este ano é crucial para reverter tudo o que está acontecendo no Brasil”, disse, pedindo a eleição de parlamentares “comprometidos com a liberdade”.

Ele afirmou que vê o ano eleitoral como oportunidade para alterar correlação de forças institucionais e reverter decisões judiciais, caso a oposição conquiste novos mandatos no Congresso e Executivo.

Decisão do STF segue em execução

A transferência de Jair Bolsonaro já começou a ser executada após determinação do ministro relator.

O motivo formal do deslocamento foi a adequação logística do cumprimento da pena em ambiente militar com Sala de Estado-Maior, prerrogativa prevista para ex-autoridades.

A transferência inclui regras específicas de visitas, assistência médica e rotinas internas, semelhantes às já fixadas para Anderson Torres e Silvinei Vasques.

O STF não respondeu às críticas e não há indicação de revisão do regime de prisão.

Condenação e contexto do processo

Jair Bolsonaro foi condenado por liderar organização envolvida em tentativa de golpe de Estado, ato investigado pela Operação Tempus Veritatis.

A decisão integra conjunto de processos conduzidos contra o ex-presidente e aliados, hoje reunidos sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

No atual cenário, a defesa e parlamentares ligados ao ex-presidente afirmam que irão insistir na revisão do regime de prisão.

Órgãos judiciais e investigadores, por outro lado, afirmam que já existe prova suficiente para sustentação da condenação e mantêm a sentença como definitiva em fase de execução.

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