Regiões Sul e Sudeste concentram as taxas mais elevadas da doença.
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De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil subiu de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. Isso representa um aumento significativo, com a incidência da doença se concentrando nas regiões Sul e Sudeste, que apresentam as taxas mais altas.
Em 2024, a taxa nacional foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente abaixo do pico de 36,28 registrado em 2023. Os estados do Espírito Santo e Santa Catarina lideraram o ranking, com as maiores taxas, seguidos por Rondônia.
A SBD atribui esse aumento a fatores como maior exposição solar, predominância de pessoas de pele clara e o envelhecimento da população. Apesar das taxas mais altas nas regiões Sul e Sudeste, os estados do Norte e Nordeste também apresentaram elevações em 2024.
Diagnóstico precoce e desafios no SUS
A SBD destaca que, embora o número de diagnósticos tenha aumentado, os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda enfrentam dificuldades para agendar consultas dermatológicas, com uma média de 2,6 vezes mais dificuldades em comparação aos usuários da saúde privada.
Para melhorar o diagnóstico precoce e aumentar as chances de cura, a SBD defende mais consultas dermatológicas na rede pública. A entidade também pediu a inclusão do protetor solar como item essencial na Reforma Tributária, o que poderia reduzir os custos e ampliar o acesso ao produto.
Desigualdade no acesso ao tratamento
A SBD também aponta que a desigualdade no acesso ao tratamento é um problema significativo, com os pacientes do interior do país enfrentando longos deslocamentos para os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon). Enquanto estados como São Paulo e Rio Grande do Sul possuem uma grande quantidade de unidades especializadas, estados como Acre e Amazonas têm apenas um Unacon.
Além disso, a espera para tratamento é mais longa no Norte e Nordeste, com os pacientes frequentemente aguardando mais de 60 dias entre o diagnóstico e o início do tratamento, o que aumenta o risco de agravamento da doença.
Prevenção e políticas públicas
A SBD solicita medidas urgentes para melhorar o acesso à prevenção, incluindo a distribuição gratuita de protetores solares e a ampliação da conscientização sobre a importância da detecção precoce do câncer de pele.

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