Após cheia histórica, nível do Rio Tapajós recua 11 centímetros em Santarém

De acordo com o levantamento da defesa civil, cerca de 18 mil pessoas foram afetadas diretamente pela cheia no município.
Orla da cidade de Santarém (Andria Almeida)

Após meses de cheia que ultrapassou níveis históricos, o Rio Tapajós, em Santarém, oeste paraense, registrou mais uma baixa no nível. Na manhã desta sexta-feira (13), o boletim da defesa civil apontou que o rio está marcando 7,91 m, o que significa um recuo de 11 centímetros, se comparado com a medição da segunda-feira (9), quando o nível da água chegou a marca de 8,02 m e invadiu lojas no centro comercial trazendo prejuízos.

As chuvas deste ano já afetaram mais 18 mil pessoas no município. O coordenador da defesa civil, Darlison Maia, explica que baseado na tabela de anotações o rio estava sob o fenômeno conhecido como repiquete, que é a oscilação para cima e para baixo do nível, embora a variação seja de poucos centímetros esse estado indica um processo de recuo.

“Notamos que o rio parou de oscilar e acreditamos que a medição de agora já seja o nível do rio baixando, embora não seja normal para período, porque nós estamos em maio”, ponderou.

A preocupação da defesa civil é porque nos anos anteriores, durante o mês de maio, a água continuava com o movimento de subida. No entanto, esse ano a subida foi bem diferente, chegando a ultrapassar os níveis das cheias históricas dos últimos 13 anos para o período.

“Então pode ser que já seja o início da descida, lógico que muito lentamente, né? Porque baixou só 11 centímetros, mas já é um sinal de que pode ser que esteja baixando ou pode ser também que baixe e chegue em um certo nível e fique parado como dos anos anteriores e depois do final do mês de maio ele começa realmente a diminuir”, analisou o coordenador.

Prejuízos para os comerciantes

No dia 22 de abril, trabalhadores e clientes do centro comercial do município foram diretamente afetados com a cheia do rio que alagou as ruas e trouxe transtornos e prejuízos.

Ruas do centro comercial foram invadidas pelo rio Tapajós (Andria Almeida)

Apesar de pontes conhecidas como ‘maromba’ terem sido instaladas para que a circulação no local não fosse afetada, a situação contínuo difícil para os comerciantes que continuaram tendo os estabelecimentos invadidos pelas águas do rio.

A comerciante Irorena de Souza conta que na última chuva caída no município o estabelecimento ficou completamente alagado. “Perdemos muitos objetos na cheia deste ano, mas na chuva da segunda-feira nós tínhamos subido as mercadorias para não molhar, caso chovesse. A última chuva foi bem violenta, parecia que tinha um rio na rua”, lembrou.

Já o comerciante, Silvio Belo Júnior, que tem uma loja de confecções localizada de frente para o rio Tapajós, não ver a hora desse inverno acabar. “Está tudo certo, agora é só esperar as chuvas pararem e o rio baixar”, contou.
Afetados

De acordo com o levantamento da defesa civil, cerca de 18 mil pessoas formam afetadas diretamente pela cheia no município.

O relatório apontou que os locais mais prejudicados no município são as áreas de várzeas, o distrito de Alter do Chão, a Comunidade Ponta de Pedras e comunidades da região ribeirinha. Nesses locais, 3.624 famílias foram diretamente atingidas, somando 18.120 vítimas.

Cheias anteriores

A cota de alerta do nível do rio no município é de 7,10 metros. A maior cheia já registrada no município ocorreu no ano de 2009, quando o nível do Tapajós alcançou a marca de 8,31m, no final do mês de maio. No entanto, no dia 23 de abril deste ano, o nível do rio alcançou cotas superiores às cheias de 2009, 2014 e 2021 para este período.

Fonte: Oliberal

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