Em pronunciamento na Tribuna, vereadora lamentou os casos de feminicídio em Ourilândia do Norte e Oriximiná, apontou o machismo como raiz da violência e defendeu campanhas educativas integradas na região.
Em uma sessão marcada por forte comoção e indignação na Câmara Municipal de Santarém, nesta segunda-feira (8), a vereadora e procuradora da Mulher, Ivanira Figueira (PSD), utilizou o grande expediente na Tribuna para manifestar seu profundo repúdio e tristeza diante de dois recentes casos de feminicídio que assombraram o estado do Pará. O discurso, que transitou entre o luto institucional e a cobrança por medidas práticas, ecoou como um chamado urgente à união de forças entre homens e mulheres dentro e fora do parlamento.
O primeiro caso destacado pela parlamentar ocorreu no município de Ourilândia do Norte, no sudeste paraense. De acordo com informações oficiais da polícia, a cidadã Ilcileia Alves Veloso foi assassinada a tiros pelo ex-marido, o ex-vereador Ronildo Silva. O crime aconteceu no momento exato em que o ex-casal se reunia para assinar os papéis do divórcio. O segundo episódio de violência brutal vitimou a adolescente Adriele Jaiane Santos da Silva, de apenas 16 anos, no município de Oriximiná. A jovem, sob a suspeita de estar grávida, foi assassinada por seu companheiro.
Para Ivanira Figueira, a reincidência de crimes desta natureza comprova que a violência de gênero não se trata de acontecimentos isolados, mas de um reflexo estrutural.
“Essas tragédias revelam um problema grave que continua presente em nossa sociedade: o machismo. Quando o homem acredita que pode controlar a vida, as escolhas e até o destino de uma mulher, abre-se o espaço para a violência. Nenhuma mulher deve ser ameaçada”, declarou de forma categórica.
A procuradora da Mulher chamou a atenção para o perfil do agressor de Ourilândia do Norte, ressaltando o agravante de o crime ter sido cometido por um ex-parlamentar que conhecia o ordenamento jurídico.
“Uma pessoa muito informada, um vereador informado, que com certeza passou quatro anos em uma Casa de Leis como essa, foi capaz de tirar a vida da mãe de seus filhos”, lamentou Ivanira, evidenciando o impacto psicológico sobre os três filhos que ficaram órfãos.
Diante do cenário alarmante, a vereadora direcionou seu discurso aos seus pares na Câmara de Santarém, enfatizando que o combate ao feminicídio exige o protagonismo também da bancada masculina. A parlamentar fez um apelo direto aos 19 vereadores homens da Casa para que se somem às quatro vereadoras mulheres na formulação de campanhas educativas abrangentes.
“Nós não temos mais tempo a perder. Nós temos que fazer alguma coisa, nós temos que nos unir. Nós contamos, principalmente, com os 19 homens desta Casa para levarmos campanhas educativas para as escolas, para as embarcações e para todos os ambientes onde há uma população desinformada precisando de apoio”, conclamou a vereadora.
Saúde Mental e Ações Práticas
A estratégia defendida por Figueira envolve uma abordagem humanizada voltada também para a ala masculina, desmistificando o isolamento social que frequentemente precede a violência doméstica. Segundo ela, “não só as mulheres precisam ser ouvidas, mas os homens também precisam ser ouvidos. Eles não precisam passar por dificuldades sozinhos; eles também têm o direito de pedir o apoio, de pedir ajuda”.
Durante a fala, a procuradora fez questão de enaltecer a representatividade feminina no legislativo santareno, citando nominalmente as colegas Bárbara, Elita e Alba, esta última elogiada publicamente como exemplo de mãe solo, mulher decidida e referência de independência.
Como encaminhamento prático e imediato, Ivanira Figueira solicitou formalmente ao presidente da Câmara Municipal, vereador Jander Ilson, a convocação de uma reunião de emergência para a próxima semana. O objetivo é integrar os 23 parlamentares à equipe de psicologia da Procuradoria da Mulher para estruturar ações de acolhimento e conscientização itinerante no município.
“Precisamos mostrar para a população, para as mulheres, que elas não estão sozinhas. Temos aqui 19 homens, pais de famílias, e quatro mulheres, mães de famílias, que podem ajudar para que nós não venhamos a chorar por um amigo nosso, por uma amiga nossa, ou por filhos que ficam órfãos”, concluiu a parlamentar sob a atenção do plenário.
Por Lana Mota – Assessora de Imprensa da vereadora Ivanira Figueira

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