O levantamento mostra que o Brasil encerrou o ano passado com 1.954 cervejarias registradas em 794 municípios, consolidando uma expansão impressionante do setor. Desde o início da série histórica, o crescimento no número de cervejarias chega a 4.785%. No Pará há 22 registradas
Se existe um país onde a cerveja virou quase patrimônio afetivo das rodas de conversa, dos churrascos de domingo e dos encontros entre amigos, esse país é o Brasil — e os números agora confirmam isso oficialmente. O setor cervejeiro brasileiro atingiu, em 2025, o maior patamar da história, com 44.212 cervejas registradas e 56.170 marcas catalogadas no país, segundo o Anuário da Cerveja 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O levantamento mostra que o Brasil encerrou o ano passado com 1.954 cervejarias registradas em 794 municípios, consolidando uma expansão impressionante do setor. Desde o início da série histórica, o crescimento no número de cervejarias chega a 4.785%. No Pará há 22 registradas.
Mais do que quantidade, o setor também comemora a valorização internacional. Mesmo com uma leve queda no volume exportado, a cerveja brasileira bateu recorde em valor exportado, alcançando US$ 218,4 milhões em 2025. O resultado representa o maior faturamento da história do segmento no mercado externo.
O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Hugo Caruso, destacou que o desempenho mostra a consolidação da cerveja brasileira fora do país. Segundo ele, o avanço das exportações e o superávit comercial reforçam o protagonismo crescente do produto brasileiro no mercado internacional.
Já o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, Márcio Maciel, afirmou que os números refletem a capacidade de reinvenção do setor mesmo diante de cenários econômicos desafiadores. Ele sustenta que a cerveja segue ocupando espaço central nos momentos de celebração e convivência do brasileiro.
O anuário mostra ainda que a produção nacional continua extremamente diversificada. Em apenas um ano, foram adicionados 1.036 novos registros de cervejas ao mercado, crescimento de 2,4% em relação ao levantamento anterior.
A paixão nacional também se espalha pelo mapa. O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com 452 cervejarias registradas. A região Sudeste concentra quase metade das unidades do país, somando 923 estabelecimentos. A capital paulista aparece como o município com maior número de cervejarias: são 61 estabelecimentos registrados. Já Santa Catarina lidera no chamado índice de densidade cervejeira, com uma cervejaria para cada 32,6 mil habitantes. Hoje, a atividade cervejeira já está presente em 14,3% dos municípios brasileiros, um sinal de que o setor deixou há muito tempo de ser exclusividade dos grandes centros urbanos.
Presente em 77 países
No mercado internacional, a cerveja brasileira chegou a 77 países em 2025. O mercado sul-americano continua sendo o principal consumidor, absorvendo 98,5% do volume exportado. O Paraguai segue como principal destino das cervejas brasileiras, concentrando mais de 62% das exportações, seguido por Bolívia, Uruguai, Argentina e Chile.
Enquanto isso, as importações também dispararam. O Brasil comprou mais de 26 milhões de litros de cerveja estrangeira em 2025 — alta superior a 250% em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos lideram entre os fornecedores internacionais.
Outro dado que chama atenção é o impacto econômico da cadeia cervejeira. O setor de bebidas ultrapassou 143 mil empregos diretos em 2025. Desse total, quase 42 mil postos estão ligados diretamente à fabricação de cerveja, malte e chope. Na produção, o país ultrapassou a marca de 15 bilhões de litros de cerveja fabricados no ano passado. Desse volume, 29,2% correspondem às cervejas puro malte, segmento que segue em expansão entre os consumidores.
O anuário também revela mudanças no perfil do mercado. As cervejas sem glúten registraram crescimento superior a 400% no volume produzido, acompanhando uma demanda crescente por produtos diferenciados e opções voltadas a consumidores com restrições alimentares.
Como novidade desta edição, o levantamento passou a contar com mapas elaborados em parceria com a Embrapa Territorial, permitindo visualizar a distribuição regional das cervejarias brasileiras e a concentração produtiva do setor.
No fim das contas, os números confirmam aquilo que muita mesa de bar já suspeitava há tempos: no Brasil, cerveja deixou de ser apenas bebida. Virou cultura, mercado bilionário e, para muita gente, assunto levado tão a sério quanto receita de família.
Fonte completa: Debate Carajás

0 Comentários