O uso de doses altas de PMMA também pode levar à necrose, posto que o plástico pode acabar comprimindo vasos sanguíneos, levando à morte das células.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu nesta sexta-feira, 29, o uso de polimetilmetacrilato (PMMA) para finalidades estéticas ou reparadoras. O PMMA é utilizado como substância preenchedora em procedimentos estéticos. A única exceção permitida pelo CFM é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, que deve ser realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.
Segundo o CFM, a resolução proibindo o PMMA será publicada na próxima terça-feira (2 de junho), enquanto na segunda-feira (1º), uma entrevista coletiva sobre a questão será concedida pelo presidente do órgão, José Hiran da Silva Gallo, e pela relatora da resolução, a cirurgiã plástica e conselheira federal Graziela Bonin. O CFM já havia solicitado a proibição do PMMA à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anteriormente.
O PMMA é um tipo de plástico que possui diversas aplicações, da indústria à medicina. No campo estético, costuma ser usado como gel para preencher pequenas áreas superficiais da pele (preenchimento cutâneo). A Anvisa determinava que a dosagem usada fosse estritamente a necessária para correção das irregularidades, devendo o procedimento ser feito exclusivamente por médicos treinados, com indicações claras de locais do corpo e concentração por mililitro. Para preenchimentos subcutâneos (camadas mais profundas), o profissional precisava ser registrado na Anvisa, pois o produto é considerado de alto risco.
Mortes associadas
Na última terça-feira (26), uma mulher morreu em São Paulo após preenchimento com PMMA nos glúteos e coxas. Outros casos anteriores incluem:
- Aline Maria Ferreira da Silva, influenciadora e modelo, morta em julho de 2024 aos 33 anos.
- Andressa Urach, modelo que ficou entre a vida e a morte em 2014 após uso de PMMA e hidrogel, mas se recuperou.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta que o PMMA pode causar reações de curto prazo, como edemas, inflamações, alergias e formação de granulomas, e efeitos tardios, anos após a aplicação.
Quais os riscos do PMMA?
Em entrevista ao Estadão em 2024, a cirurgiã plástica Marcela Cammarota, membro do conselho científico e porta-voz da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), afirmou que a associação é contrária ao uso estético do PMMA. Ela explicou que a substância é usada na forma de microesferas, cujo tamanho precisa ser específico para não ser rejeitada pelo organismo:
- Microesferas muito pequenas podem ser engolidas pelas células, provocando reação imunológica.
- Microesferas muito grandes podem causar inflamações e serem expulsas pelo corpo.
Essas reações podem se tornar crônicas, exigindo remoção do PMMA e, às vezes, do tecido ao redor, causando lesões e deformidades. O uso de doses altas também pode causar necrose, comprimindo vasos sanguíneos. Além disso, infecções podem ocorrer, sendo de difícil tratamento com antibióticos, caso bactérias penetrem no material.
Fonte completa: Debate Carajás / O Liberal

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