Moradores relatam prejuízos à agricultura, abastecimento de água e transporte escolar; Ministério Público promete acompanhamento e mapeamento das áreas afetadasMoradores de 23 comunidades atingidas pela Usina Hidrelétrica de Curuá-Una participaram, nesta terça-feira (24), de uma audiência pública promovida pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), com apoio da Prefeitura de Mojuí dos Campos, no oeste do Pará. O encontro ocorreu no Centro de Convivência da Criança e do Adolescente (CCCA), no bairro Esperança, e reuniu mais de 90 comunitários.

A audiência foi conduzida pela promotora de Justiça Lilian Braga e contou com a presença do prefeito Jailson Alves, do secretário municipal de Meio Ambiente, Maurício Santamaria, do presidente da Câmara Municipal, vereador Francisco Pantoja, além de lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil.

Apesar da mobilização, não participaram representantes da Eletronorte, da Semas (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade) e da própria usina hidrelétrica, ausências criticadas durante o evento.

Principais impactos relatados pelas comunidades

  • Falta de aviso sobre a variação do nível do rio, especialmente na abertura das comportas
  • Mortandade de peixes por baixa oxigenação da água
  • Contaminação de cacimbas e dificuldade no abastecimento de água para consumo humano
  • Prejuízos à agricultura familiar e morte de animais
  • Impactos no transporte escolar e isolamento de comunidades ribeirinhas
A promotora Lilian Braga reforçou o compromisso de acompanhar de perto a situação, adotando medidas como:
  1. Mapeamento detalhado das comunidades afetadas
  2. Visitas in loco às áreas mais críticas para verificar escolas, postos de saúde, estradas e impactos relatados

“Precisamos identificar os pontos mais críticos e acompanhar os desdobramentos. A ausência de órgãos responsáveis demonstra desinteresse e agrava a situação”, destacou Lilian Braga.

Para Valdenice Machado, presidente da Associação Comunitária Rural da Comunidade São Francisco do Puraqué (Acrucom-Sfranp), a audiência foi produtiva.

“Muitas famílias perderam casas e plantações desde a implantação da usina. Hoje conseguimos trazer essas vozes e esperamos que as reivindicações avancem.”

O secretário Maurício Santamaria reforçou a importância da presença dos órgãos responsáveis:

“As comunidades compareceram em peso e conseguimos encaminhamentos importantes, mas a ausência de quem opera a usina é lamentável.”

Fotos: Burlamaqui / Estado do Pará News
Edição: Elivaldo Silva