Nicolás Maduro orientou aos integrantes da Força Aérea da Venezuela que fiquem alerta, prontos e dispostos a defender “os nossos direitos como nação”
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou que vai fazer intervenção militar por via terrestre na Venezuela. Ele pontua que as ações começarão “muito em breve”, em escalada de tensões com o governo de Nicolás Maduro. Segundo Trump, a intenção é combater o narcotráfico no país sul-americano.
Trump diz que as operações dos Estados Unidos realizadas pelo mar já reduziram o envio de drogas e que ações terrestres serão o próximo passo, sem detalhar datas ou alvos específicos. Ele justificou a medida pela classificação do Cartel dos Sóis como entidade terrorista, abrindo base legal para ataques, embora todas as opções permaneçam “sobre a mesa”.
Os EUA têm enviado ao Caribe, desde o mês de setembro, milhares de tropas, caças F-35 e o porta-aviões Gerald R. Ford, com armamento pesado. O destacamento inclui o maior navio militar do mundo, com 4 mil soldados e 75 caças a bordo.
O líder venezuelano orientou aos integrantes da Força Aérea da Venezuela que fiquem alerta, prontos e dispostos a defender “os nossos direitos como nação, como pátria livre e soberana. E sei que vocês nunca falharão à Venezuela, e sei que a Venezuela conta com vocês”, pontuou Maduro.
Analistas avaliam que as investidas do governo norte-americano podem ter como motivação a produção de petróleo na Venezuela, país polo nesse quesito, na América do Sul. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também acusa Trump de agir por interesse nas reservas de petróleo venezuelanas.
“Essa é uma negociação sobre petróleo. Acredito que essa seja a lógica de Trump. Ele não está pensando na democratização da Venezuela, muito menos no narcotráfico”, disse ele, esta semana, após o governo dos EUA acusá-lo de desempenhar “papel no comércio ilícito global de drogas”, em atuação conjunta com entes venezuelanos.
Ataques
Os Estados Unidos realizaram pelo menos seis ataques a navios ou embarcações no Caribe, próximo à Venezuela, desde agosto de 2025, usando como justificativa o combate ao narcotráfico ligado a grupos como o Cartel dos Sóis e o ELN.
- Setembro de 2025: Segundo ataque em alto-mar destruiu um barco de tráfico, matando três pessoas; primeiro incidente matou 11.
- Outubro de 2025: Quinto ataque (19/10) bombardeou embarcação do ELN com narcóticos, resultando em três mortes; anterior (14/10) elevou total de mortos para 27 em cinco operações.
- 17/10/2025: Sexto navio neutralizado pelo Comando Sul, com sobreviventes pela primeira vez e mais de 20 mortes acumuladas.
As sinalizações do presidente norte-americano vêm na trilha de outras ações mirando países da América do Sul – no caso do Brasil, Trump impôs tarifas de 50% sobre os produtos exportados do país, em tentativa de fazer com que a Justiça brasileira arquive os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do norte-americano, conforme comunicado pelo próprio Trump em carta divulgada nas redes.
A taxação, no entanto, não surtiu o efeito esperado: Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela trama golpista, em 2022, e Trump anunciou na mesma semana a retirada das tarifas de importação sobre 690 produtos brasileiros.

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